UNIVERSIDADE INTERNACIONAL DA PAZ

 

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A UNIPAZ VISTA PELOS MEDIA
"
Não adianta pensar que viveremos em paz quando houver paz no mundo em que vivemos. Isso só poderá ir acontecendo à medida que cada um de nós se for pacificando interiormente - por entre todas as violências, as injustiças, as faltas de amor, os conflitos de toda a ordem... É de dentro de nós mesmos e não do exterior que a serenidade nos vem. E, no mundo de hoje, isto é tão urgente que até já existe uma universidade que pretende ensinar-nos esta arte de viver em paz. Chamada precisamente Unipaz (...)"

In
Revista Xis - Maria José Costa Félix

 

 

Era uma vez um beija flor que fugia de um  incêndio juntamente com todos os animais de uma floresta. Só ele fazia algo de diferente dos outros: apanhava gotas de água de um lago e atirava-as ao fogo. Um dos outros animais, intrigado, perguntou-lhe: "Beija-flor, achas que vais apagar o incêndio com essas gotas?". "Com certeza que não", respondeu tranquilamente o pequeno pássaro. "Mas estou a fazer a minha parte."

Esta historiazinha como que resume aquilo que é o espírito da Unipaz ou Universidade Holística Internacional.

Criada há dez anos1 em Brasília por Pierre Weil, psicólogo francês consultor da UNESCO para as questões da Paz, é a terceira universidade mundial para a paz e parceira desta organização internacional para as comemorações do Ano Internacional para uma Cultura de Paz no ano 2000.

Assim como, no século XV, a Escola de Sagres preparava os navegadores que descobriram o Novo Mundo, a Unipaz, através de um consistente plano pedagógico holístico, pretende contribuir para a preparação dos navegantes da Nova Era: os construtores e os servidores da paz.

1. A Unipaz, à data actual (2008) foi fundada há vinte e um anos em Brasília

 

FORMAÇÃO HOLÍSTICA DE BASE

O curso de Formação Holística de Base administrado por esta Universidade pretende ajudar-nos a perceber como somos parte integrante do universo para depois, a partir daí, começarmos a alterar a forma como nos relacionamos com o que nos rodeia. E é uma formação com três etapas: O Despertar ou Ecologia Interior - integração das várias funções psíquicas (sensação, intuição, pensamento e sentimento); O Caminho ou Ecologia Social - aplicação da vivência pessoal às várias esferas do conhecimento (científico, espiritual, filosófico e artístico); A Obra Prima ou Ecologia Planetária - como resultado da transformação interior, surge um trabalho que pode ser feito para o exterior.

E há técnicas para conseguir ir andando por esta via. Técnicas psicológicas como a do psicodrama. Técnicas de surpresa. Jogos.

  A estrutura de um seminário da Arte de Viver em Paz é bastante movimentada: tem uma parte de relaxamento, uma parte dos primórdios da meditação, fazem um pequeno psico-drama no sentido do viver o conflito e de o solucionar, tem um toquezinho de ecologia sobre a questão do planeta e a forma como nós o degradamos... Organizam uma série de coisas para estimular uma cultura de partilha. Uma cultura de paz. " É o estarmos juntos sem estarmos a competir, sem aqueles jogos de personalidade de que Eu sou mais esperto que tu, mais rico...que não nos leva a lado nenhum."

 As estruturas que actualmente existem ainda são apenas estruturas de poder. E vários são os adolescentes que, embora não se sintam à vontade nelas, não sabem o que para não estar. É o que acontece com o Vasco, de 19 anos, que chega a casa e conta à mãe, horrorizado, que os amigos tinham andado à pancada uns com os outros ou lhe diz que acha "horrível a forma como eles bebem" mas, quando ela lhe sugere que ele "tem mas é de ir rompendo o seu próprio caminho", lhe pergunta, perplexo: "Ó mãe, mas se eu não me dou com eles e não tenho outros amigos, com quem é que me hei-de dar?".

COMO RESOLVER OS CONFLITOS

Um dia, irritado, o director de uma grande empresa maltratou  o chefe de uma secção na frente de várias pessoas. O chefe de secção sentiu a raiva a ferver dentro de si, mas ficou quieto até que, na primeira oportunidade, criticou e humilhou um dos seus funcionários - aquele que lhe parecia mais vulnerável. Revoltado, esse funcionário chegou muito tenso a casa e berrou com a mulher. Pouco depois, a mulher bateu no filho mais velho. O rapaz deu um pontapé ao irmão mais novo. E este, por sua vez, deu outro pontapé ao irmão mais novo. E este, por sua vez deu outro pontapé ao cão que fugiu sem perceber o que se estava a passar. Na manhã seguinte, o cão ladrou furiosamente ao director de outra empresa que saia do carro para começar o seu dia de trabalho. E assim por aí adiante.

Choques exteriores, discórdias no emprego e em casa, todos os conflitos externos não são mais do que expressões de guerras ou contradições que se travam dentro de nós mesmos. Quando procuramos esconder os nossos erros, as nossas insatisfações deitando a culpa para cima dos outros, contribuímos para que o mundo seja conflituoso. E, se não prestarmos a devida atenção, vivemos rodeados de conflitos - grandes e pequenos, conscientes e inconscientes, físicos, emocionais e mentais - que uns aos outros quase automaticamente se alimentam.

Se queremos a paz, temos de fazer algo para a construir. Mas o caminho que a ela conduz só é de facto percorrido quando olhamos para esses erros com serenidade, aprendendo com eles algo de útil. Resolvemos os conflitos se sintonizarmos a nossa consciência com o circuito de amor que move o mundo. Trata-se de uma revolução pessoal.

Cada um de nós pode contribuir com a sua própria serenidade para acelerar o processo de paz colectivo. Só que não basta recitar orações ou fazer propaganda política. Em todos os aspectos da vida, há que desarticular os circuitos de rancor, os mecanismos de realimentação recíproca de sentimentos negativos e criar correntes de simpatia e solidariedade.

Como o coração trabalha em contacto intímo com todos os centros vitais no nosso organismo, para construir e irradiar paz para o mundo e para as pessoas com quem nos relacionamos, temos também de respeitar o processo da vida no nosso corpo. Ajudar a que a energia circule livremente. O que significa atender ao nosso estado geral de saúde. À dos nossos rins - que precisam de bastante água - , à do estômago e do fígado - que precisam de alimentos não contaminados -, à dos pulmões - que dependem de uma respiração profunda -, e também aos nossos pensamentos - porque o cérebro precisa de imagens claras e optimistas.

 Só tomando a vida nas nossas próprias mãos deixaremos de reclamar do mundo e irradiaremos paz. E os os primeiros a beneficiar com  essa atitude somos nós mesmos. Como diz um monge budista, a nossa melhor contribuição para a paz mundial, é ser calmo e forte, andar bem disposto, respirar profundamente, manter o corpo relaxado, o espírito vigilante e a imaginação positiva*

Maria José Félix

In Revista Xis