|
Era
uma vez um beija flor que fugia de um incêndio
juntamente com todos os animais de uma floresta. Só
ele fazia algo de diferente dos outros: apanhava
gotas de água de um lago e atirava-as ao fogo. Um
dos outros animais, intrigado, perguntou-lhe:
"Beija-flor, achas que vais apagar o incêndio com
essas gotas?". "Com certeza que não", respondeu
tranquilamente o pequeno pássaro. "Mas estou a fazer
a minha parte."
Esta
historiazinha como que resume aquilo que é o espírito da Unipaz
ou Universidade Holística Internacional.
Criada
há dez anos1
em Brasília por Pierre Weil, psicólogo francês consultor da
UNESCO para as questões da Paz, é a terceira universidade mundial
para a paz e parceira desta organização internacional para as
comemorações do Ano Internacional para uma Cultura de Paz no
ano 2000.
Assim
como, no século XV, a Escola de Sagres preparava os navegadores
que descobriram o Novo Mundo, a Unipaz, através de um consistente
plano pedagógico holístico, pretende contribuir para a
preparação dos navegantes da Nova Era: os
construtores e os servidores da paz.
1.
A Unipaz, à data actual (2008) foi fundada há vinte e um
anos em Brasília
|
FORMAÇÃO HOLÍSTICA DE
BASE
O curso de Formação Holística
de Base administrado por esta Universidade pretende ajudar-nos
a perceber como somos parte integrante do universo para depois,
a partir daí, começarmos a alterar a forma como nos relacionamos
com o que nos rodeia. E é uma formação com três etapas: O Despertar
ou Ecologia Interior - integração das várias funções psíquicas
(sensação, intuição, pensamento e sentimento); O Caminho ou
Ecologia Social - aplicação da vivência pessoal às várias esferas
do conhecimento (científico, espiritual, filosófico e artístico);
A Obra Prima ou Ecologia Planetária - como resultado da transformação
interior, surge um trabalho que pode ser feito para o exterior.
E há técnicas
para conseguir ir andando por esta via. Técnicas psicológicas
como a do psicodrama. Técnicas de surpresa. Jogos.
A estrutura de um
seminário da Arte de Viver em Paz é bastante movimentada: tem
uma parte de relaxamento, uma parte dos primórdios da meditação,
fazem um pequeno psico-drama no sentido do viver o conflito
e de o solucionar, tem um toquezinho de ecologia sobre a questão
do planeta e a forma como nós o degradamos... Organizam uma
série de coisas para estimular uma cultura de partilha. Uma
cultura de paz. " É o estarmos juntos sem estarmos a competir,
sem aqueles jogos de personalidade de que Eu sou mais esperto
que tu, mais rico...que não nos leva a lado nenhum."
As
estruturas que actualmente existem ainda são apenas estruturas
de poder. E vários são os adolescentes que, embora não se sintam
à vontade nelas, não sabem o que para não estar. É o que acontece
com o Vasco, de 19 anos, que chega a casa e conta à mãe, horrorizado,
que os amigos tinham andado à pancada uns com os outros ou lhe
diz que acha "horrível a forma como eles bebem" mas, quando
ela lhe sugere que ele "tem mas é de ir rompendo o seu próprio
caminho", lhe pergunta, perplexo: "Ó mãe, mas se eu não me dou
com eles e não tenho outros amigos, com quem é que me hei-de
dar?".
COMO RESOLVER OS CONFLITOS
Um dia,
irritado, o director de uma grande empresa maltratou o
chefe de uma secção na frente de várias pessoas. O chefe de
secção sentiu a raiva a ferver dentro de si, mas ficou quieto
até que, na primeira oportunidade, criticou e humilhou um dos
seus funcionários - aquele que lhe parecia mais vulnerável.
Revoltado, esse funcionário chegou muito tenso a casa e berrou
com a mulher. Pouco depois, a mulher bateu no filho mais velho.
O rapaz deu um pontapé ao irmão mais novo. E este, por sua vez,
deu outro pontapé ao irmão mais novo. E este, por sua vez deu
outro pontapé ao cão que fugiu sem perceber o que se estava
a passar. Na manhã seguinte, o cão ladrou furiosamente ao director
de outra empresa que saia do carro para começar o seu dia de
trabalho. E assim por aí adiante.
Choques
exteriores, discórdias no emprego e em casa, todos os conflitos
externos não são mais do que expressões de guerras ou contradições
que se travam dentro de nós mesmos. Quando procuramos esconder
os nossos erros, as nossas insatisfações deitando a culpa para
cima dos outros, contribuímos para que o mundo seja conflituoso.
E, se não prestarmos a devida atenção, vivemos rodeados de conflitos
- grandes e pequenos, conscientes e inconscientes, físicos,
emocionais e mentais - que uns aos outros quase automaticamente
se alimentam.
Se queremos
a paz, temos de fazer algo para a construir. Mas o caminho que
a ela conduz só é de facto percorrido quando olhamos para esses
erros com serenidade, aprendendo com eles algo de útil. Resolvemos
os conflitos se sintonizarmos a nossa consciência com o circuito
de amor que move o mundo. Trata-se de uma revolução pessoal.
Cada um
de nós pode contribuir com a sua própria serenidade para acelerar
o processo de paz colectivo. Só que não basta recitar orações
ou fazer propaganda política. Em todos os aspectos da vida,
há que desarticular os circuitos de rancor, os mecanismos de
realimentação recíproca de sentimentos negativos e criar correntes
de simpatia e solidariedade.
Como o
coração trabalha em contacto intímo com todos os centros vitais
no nosso organismo, para construir e irradiar paz para o mundo
e para as pessoas com quem nos relacionamos, temos também de
respeitar o processo da vida no nosso corpo. Ajudar a que a
energia circule livremente. O que significa atender ao nosso
estado geral de saúde. À dos nossos rins - que precisam de bastante
água - , à do estômago e do fígado - que precisam de alimentos
não contaminados -, à dos pulmões - que dependem de uma respiração
profunda -, e também aos nossos pensamentos - porque o cérebro
precisa de imagens claras e optimistas.
Só
tomando a vida nas nossas próprias mãos deixaremos de reclamar
do mundo e irradiaremos paz. E os os primeiros a beneficiar
com essa atitude somos nós mesmos. Como diz um monge budista,
a nossa melhor contribuição para a paz mundial, é ser calmo
e forte, andar bem disposto, respirar profundamente, manter
o corpo relaxado, o espírito vigilante e a imaginação positiva*
Maria José
Félix
In
Revista Xis |